terça-feira, 21 de setembro de 2010

Mente e cérebro, ilusões e mistérios - Eduardo Giannetti

Por Sonia Montaño

A noite do Fronteiras do Pensamento, de 13 de setembro, abordou as relações entre mente e cérebro. Com o título A Ilusão da Alma, o economista e cientista social brasileiro Eduardo Giannetti falou sobre as teorias fisicalistas do cérebro que consideram uma ilusão qualquer ato de comando nosso sobre o próprio cérebro.
Giannetti disse que o convite para a conferência do Fronteiras chegou bem na hora em que estava finalizando seu livro.
O livro A ilusão da alma é um relato em primeira pessoa de uma conversão filosófica.
Um professor de Letras padece de uma série de problemas como ausências e alucinações, e descobre que tem um tumor. É operado, mas três coisas mudam em sua vida: fica parcialmente surdo, obtém a aposentadoria por invalidez e é tomado por uma verdadeira obsessão pelo estudo do cérebro e da mente. Ele faz grandes descobertas, com um desfecho inesperado, à medida que avança, encontra-se com um credo aterrador, o fisicalismo. A nossa consciência, senso de identidade, sensação de liberdade, e tudo o que povoa nossa atividade mental seria produto dos bilhões de células do cérebro e nada mais. O livro fala da frágil consciência que temos de nós mesmos. “A ideia é mostrar que podemos estar radicalmente
enganados. Podemos estar tão equivocados no modo como pensamos sobre nós mesmos quanto o homem pré-científico se encontrava equivocado no que pensava sobre o trovão e o relâmpago”, disse o autor.
Giannetti relatou que as relações entre mente e cérebro são abordadas há 2.500 ano e que todos temos um conhecimento intuitivo sobre essas relações. “Que tipo de ser é o bicho homem? Para onde caminha o entendimento estritamente científico da condição humana?”, perguntou-se o economista.

Mundo físico e mundo mental
Todo ser humano tem um lado filósofo, traz consigo um conjunto de noções sobre o que significa ser dotado de consciência e vontade própria, além da relação que ele e a humanidade em geral guardam com o universo em que vivem. Quando a criança percebe que há coisas que dependem de sua vontade e outras não, está aprendendo a andar com suas próprias pernas em seu mundo mental.
Há um entendimento compartilhado sobre as relações mente-cérebro que parte da compreensão de dois tipos de acontecimentos distintos. De um lado, os acontecimentos que pertencem ao mundo físico externo e que percebemos pelos sentidos, e, de outro, os que acontecem na nossa mente e temos acesso pela atenção
consciente, introspecção e vida interior.
Outro entendimento compartilhado sobre nós mesmos é que os mundos físico e mental não são totalmente separados, se autoinfluenciam. “Se eu tomar um analgésico, a dor de dente desaparece. É o físico sobre o mental. Se eu fumo um cigarro, fico mais animado, mas quando penso no mal da nicotina jogo o cigarro fora.
É o mental sobre o físico”, exemplificou Giannetti.
Eduardo Giannetti encerrou a conferência com um silogismo fisicalista:
As leis e regularidades que regem o mundo são independentes de minhas vontades.
A minha vontade é fruto das mesmas leis que regem o mundo.
A minha vontade é independente de minha vontade.
Leia mais...http://www.unimedpoa.com.br/mkt/fronteiras1409/resumo_fronteiras1409.pdf

Nenhum comentário:

Postar um comentário