quarta-feira, 30 de junho de 2010

Descobridor do HIV defende a polêmica "memória da água"

O francês Luc Montagnier dividiu o prêmio em Medicina ou Fisiologia de 2008 com a ex-colega Françoise Barré-Sinoussi pela descoberta do vírus da Aids. Aos 77 anos, surpreendeu a plateia de 675 jovens pesquisadores com a palestra "O DNA entre a Física e a Biologia".
Poderia ter usado o título "Memória da Água". Durante meia hora, na segunda-feira, discorreu sobre marcas que seriam deixadas pelo DNA de algumas bactérias e alguns vírus no arranjo de moléculas de água, mesmo após sucessivas diluições.
O tema é ultracontroverso. Em 1988, o periódico científico "Nature" veiculou trabalho similar de Jacques Benveniste (morto em 2004). Em seguida, denunciou o trabalho como fraude. A "memória da água", tema caro a homeopatas, virou tabu.
Montagnier não só ressuscitou tese equivalente como deu ainda sua explicação para o fenômeno, que chamou de "ressonância": as modificações de estrutura na água emitiriam sinais eletromagnéticos. Um tubo de ensaio ao lado da água memoriosa "contrairia" a informação.
Sua ideia agora é usar o suposto fenômeno para diagnóstico. Uma das aplicações com que sonha é encontrar vestígios do vírus HIV ocultos no sangue de pacientes mesmo depois que a carga viral é zerada com drogas.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Palavras de Constantine Hering

"Àquele que acredita que possam existir verdades que ele não conhece e que deseja conhecer, será mostrado um caminho que o conduza à luz de que necessita.
Quando aquele que tem sincera benevolência e deseja trabalhar em benefício de todos, seja considerado pela Providência um instrumento apto para o cumprimento da Divina Vontade, se lhe permitirá cumprir sua missão e será conduzido à verdade eternamente.
É o espírito da Verdade que trata de nos unir a todos, mas o Pai das Mentiras nos mantém separados e divididos."
Constantine Hering.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Fundação José Saramago

Visite a fundação José Saramago e veja o vídeo no qual ele fala com muita lucidez sôbre democracia.
http://www.josesaramago.org/index3.php

terça-feira, 22 de junho de 2010

O ANO DA MORTE DE JOSÉ SARAMAGO

LUTO EM VERMELHO
*Por Helena Ortiz

“Já estamos a viver neste planeta como sobreviventes. A cada dia que amanhece temos que fazer o possível para sobreviver. E devemos fazê-lo como insurgentes sistemáticos” (José Saramago)


A amiga me liga pela manhã para me contar. Foi assim que eu soube, por telefone, como se recebe a notícia da morte de um parente. Estamos viúvas, ela disse, e chorava. Mas eu sou forte, ainda consegui dizer à doutora que não tomo remédios, não tenho deficiência física e a pressão é boa. E daí, o que importava isso? José Saramago estava morto, e eu pensava primeiro no mundo, depois em Pilar del Rio, porque a ela sim foi dada a sorte de ter se tornado a amada do escritor. Foi para ela que ele escreveu a mais linda dedicatória que já vi: “A Pilar, como se dissesse água”. E será ela, certamente, quem mais sentirá a falta dele.
Temos os livros, e a eles voltaremos quantas vezes quisermos. Ela não. Não mais a convivência em Lanzarote, não lerá os originais em primeira mão, não trocará com ele as carícias possíveis, não recolherá os silêncios em que trabalhava.
Para nós foi-se o grande escritor, um humanista que se teimava comunista, o anti-clerical por natureza (e acho que se divertia com isso). Um homem de talento, mas de igual coragem, que se aprendeu e se fez homem em condições difíceis, sem nunca esquecer. Mas para ela foi-se não só o grande escritor, o homo politicus que apontava os vícios neoliberais, o desvario belicista, a intolerância, foi-se o homem que amava, deixando mudos os espaços do entendimento, a casa, a sala, a cama, a intimidade. Escrevo isso porque uma das coisas que mais me chamava atenção na obra de Saramago era sua consideração pelas mulheres, pelo sentimento feminino que tão bem apreendeu, pela importância que reconhecia e conferia à mulher. Daí porque imagino com que delicadeza devia tratar sua Pilar.
Depois pensei em mim, na minha própria tristeza, na certeza de saber que perdi aquele que era meu deleite, fonte de compreensão, orgulho da espécie, que eu sempre achei que o artista deve ter um papel político, deve dizer o que pensa, deve assumir o que sente. Ele era assim. E quem mais? Me diga por favor que eu quero saber.
Em casa, não pude fazer mais nada que pensar, pensar em que talvez o poema de Idea Vilariño postado há dois dias, Pobre Mundo, tenha vindo ao encontro desse acontecimento tão temido, tão indesejado e tão previsível. Que ao morrer o escritor, o poeta, o incansável lutador, nossa voz ficou ainda mais fraca porque era ele, com sua coragem e lucidez, que nos abria os olhos para os equívocos dos caminhos obscuros que aceitamos percorrer.
E então fui à cozinha, e chorando sobre pimentões vermelhos e berinjelas pensei no luto vermelho daqueles que não podiam nem chorar, que precisavam se esconder para prosseguir, calar a respiração a bem de se manterem vivos, retrair-se para avançar, e sempre engolir o choro. Agora podemos chorar alto, falar palavrão, reacender as dúvidas. Mas porque aprendemos (ou ainda não?) a lição de Saramago: “Já estamos a viver neste planeta como sobreviventes. A cada dia que amanhece temos que fazer o possível para sobreviver. E devemos fazê-lo como insurgentes sistemáticos”. Talvez assim descubramos, cada um de nós, o segredo da ilha desconhecida.

(Agradeço ao dr. Gerson Luis Barreto por ter me  enviado esse texto.)

sexta-feira, 18 de junho de 2010

FRONTEIRAS DO PENSAMENTO A web dentro de nós, quando mentes e máquinas se tornam um

Ray Kurzweil: O mundo caminha a passo exponencial
Por Sonia Montaño
“A web dentro de nós, quando mentes e máquinas se tornam um” foi o tema que, no dia  14 de junho de 2010, o cientista e inventor norte-americano Raymond Kurzweil, apresentou à plateia do Fronteiras do Pensamento. Foi a primeira teleconferência holográfica do sul do pais. A aparição ao vivo em tamanho natural e tridimensional impressionou o auditório. O conferencista, desde Los Angeles, acompanhava os movimentos do seu público de Porto Alegre através das câmeras e dos microfones instalados no Salão de Atos da UFRGS, inclusive, no final da conferência, respondeu às perguntas do público.
No início do encontro, Raymond Kurzweil narrou suas primeiras invenções, sendo que sua carreira de inventor iniciou aos cinco anos de idade. Após algumas experiências, o cientista chegou à conclusão de que a chave para ser inventor era o timing. Ele lembrou como três anos atrás as pessoas não usavam redes sociais. Estudando as tendências da tecnologia, o norte-americano descobriu uma forma de fazer previsões certeiras sobre as mudanças do mundo.
A tese defendida pelo conferencista, embora tecnológica, levou-o a tecer uma rede interdisciplinar, com consequências para outros campos como o social: as desigualdades, riqueza e pobreza; a saúde e a longevidade; a comunicação. Kurzweil lembrou que, se bem que algumas questões são imprevisíveis como qual empresa será bem-sucedida ou quem vai ganhar a Copa do Mundo, há certas coisas que conseguimos prever. Trata-se daquelas que se regem pelo crescimento exponencial.
Crescimento exponencial
O timing da tecnologia da informação é o do crescimento exponencial. Nossa intuição é lineal, não é exponencial. Essa é a razão pela qual o futuro é tão surpreendente. O crescimento exponencial é explosivo. Para o palestrante, 30 passos dados em termos lineares permitem chegar até 30. Entretanto, 30 passos de crescimento exponencial permitem chegar até um milhão. Ele lembrou que, quando era aluno do MIT, usava um computador que ocupava um espaço enorme e custava dezenas de milhares de dólares. Atualmente, no celular que carregava na mão há um computador que é mil vezes mais potente, 1 milhão de vezes menor e um milhão de vezes mais barato do que aquele do MIT.
A expectativa de vida humana também se beneficia da tecnologia e seu crescimento exponencial. Ela tinha 37 anos em 1800, 47 anos em 1900, e agora está chegando a oitenta. A saúde e a medicina se tornaram uma tecnologia da informação. O genoma poderia ser pensado como o software da vida humana. Hoje, alguns celulares atualizam seu software automaticamente e todos os dias. Contudo, o genoma passou milhões de anos sem ser atualizado.
O genoma como software do corpo humano
Com a tecnologia dos genes, estamos a ponto de controlar a forma como os genes funcionam. Possuímos agora uma nova e poderosa ferramenta, capaz de desligar certos genes. Ela bloqueia genes específicos, evitando que criem certas proteínas como doenças virais, o câncer, e outras enfermidades. Um gene que será possível desligar é o receptor de insulina de gordura, que dá ordens às células gordas para guardarem todas as calorias. Quando esse gene é bloqueado nos ratos, esses ratos comem muito, mas mantêm-se magros e saudáveis, e, em regra, vivem 20% mais tempo. Novos métodos de acrescentar novos genes – a chamada terapia genética –estão também surgindo, depois que foram ultrapassados problemas anteriores de colocação precisa de nova informação genética. Raymond Kurzweil está fazendo um trabalho junto à empresa United Therapeutics, que, entre outras conquistas, conseguiu diminuir a hipertensão pulmonar em animais usando uma nova forma de terapia dos genes. Essa terapia já foi aprovada para testes em humanos. É possível, então injetar no corpo genes que não existiam antes. À medida que progredimos nessas pesquisas, podemos converter o funcionamento dos órgãos em modelos matemáticos para criar simuladores biológicos. Estas tecnologias estão em seu estágio inicial. Elas vão se tornar duplamente mais potentes a cada ano e pelo mesmo custo. Multiplicarão por mil em dez anos e por um milhão em 20 anos.
A teoria da evolução de Kurzweil
Ray Kurzweil apresentou uma máquina de leitura para cegos que foi o primeiro scaner, do tamanho de uma máquina de lavar roupas. Ele explica que a cada ano foi se tornando menor e faz muito mais coisas com o passar do tempo. Hoje cabe num computador na palma da mão. Beneficiamo-nos da lei dos retornos acelerados. Os avanços tecnológicos estão se tornando cada vez mais rápidos. A imprensa levou quatro séculos para conseguir uma plateia maciça. O telefone só levou 50 anos para atingir um quarto da população. O celular fez isso em sete anos. As redes sociais, menos ainda. O processo evolutivo cria uma capacidade, adota essa capacidade, usa-a em seu estágio seguinte, e essa capacidade anda mais rapidamente. Essa é a tese de Kurzweil sobre a evolução em geral e sobre a evolução tecnológica em particular.
Ele vê a história em seis épocas. Na primeira, da Física e da Química, um Código Nuclear organiza e mantém a energia/matéria. Na segunda, do DNA, temos um Código Genético, o qual organiza e mantém a vida. Na terceira, era dos homens com seus prodigiosos cérebros, temos um Código Neural que organiza e mantém o cérebro/mente. Na quarta, da Tecnologia, explodem os códigos até convergirem, na quinta, em um Código Holográfico capaz de organizar e manter a consciência. Estaríamos a caminho da sexta, em busca de um Código Cósmico capaz de organizar e manter o universo. Tudo o que sabemos hoje sobre este código é que sua gramática é sábia e sua poética é bela.
Inteligência artificial
A inteligência artificial, imitando o modelo humano, poderá responder com emoções, comunicar-se mediante a arte ou chegar a novas ideias filosóficas. Uma vez que tenhamos o modelo que funcione, a capacidade de aprendizado das máquinas será imensa. Em cinco décadas, nascerá uma inteligência artificial tão humana que mudará a civilização, pois alterará o conceito que temos de nós mesmos, da nossa relação com as máquinas e do papel delas.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

PSICONEUROIMUNOBIOLOGIA

 Entrevista com o médico espanhol Mario Alonso Puig, cirurgião geral e do aparelho digestivo no Hospital de Madrid e Psiconeuroimunobiólogo, na qual fala dessa sua outra especialidade.
Mario Alonso Puig é autor dos livros: Reinventar-se, Viver é um assunto Urgente e Madera de Lider.
 Inicia a entrevista dizendo: "Há que exercitar e desenvolver a flexibilidade e a tolerância. Se pode ser muito firme com as condutas e amável com as pessoas".
-¿Psiconeuroimunobiología?
-Sím é a ciência que estuda a conexão que existe entre o pensamento, a palavra, la mentalidade e a fisiología do ser humano.
Uma conexão que desafía o paradigma tradicional. O pensamento e a palavra são uma forma de energía vital que tem a capacidade (e já foi demonstrado de forma sustentável) de interagir com o organismo e produzir mudanças físicas muito profundas.
De que se trata?
Se demonstrou em diversos estudos que um minuto entretido em um pensamento negativo deixa o sistema imunológico em uma situação delicada durante seis horas. Esse "stress", essa sensação de agonia permanente produz mudanças muito surpreendentes no funcionamento do cérebro e na constelação hormonal.
Que tipo de mudanças?
Tem a capacidade de lesionar neurônios da memória e da aprendizagem localizados no hipocampo. E afeta nossa capacidade intelectual porque deixa sem irrigação sanguínea aquelas zonas do cérebro mais necessárias para tomar decisões adequadas.
Temos recursos para combater o inimigo interior, ou isso é coisa de sábios?
Um valioso recurso contra a preocupação é focar a atenção na respiração abdominal que tem por si só a capacidade de produzir mudanças no cérebro. Favorece a secreção de hormônios como a serotonina e a endorfina e melhora a sintonia de ritmos cerebrais entre os dois hemisférios.
Mudar a mente através do corpo?
Sim. Há que mudar o foco de atenção dos pensamentos que estão nos alterando, provocando desânimo, ira ou preocupação, e que fazem que nossas decisões partam de um ponto de vista inadequado. É mais inteligente, não mais razoavel, levar o foco de atenção à respiração que tem a capacidade de serenar nosso estado mental.
Não há que ser razoável?
Sempre encontraremos razões para justificar nosso mau humor, estresse ou tristeza, e essa é uma linha determinada de pensamento.Porém quando nos baseamos em como queremos viver, por exemplo sem tristeza, aparece outra linha. São mais importantes o que e o porque  do que o como. O que o coração quer sentir, a mente o acaba mostrando.
Quando nosso cérebro dá um significado a algo, nos o vivemos como a absoluta realidade, sem ser conscientes de que é só uma interpretação da realidade.
Mais recursos...
A palavra é uma forma de energia vital. Foi possível fotografar com tomografia de emissão de positrons como as pessoas que decidiram falar a si mesmas de uma maneira mais positiva, especificamente pessoas com transtornos psiquiatricos, conseguiram remodelar fisicamente sua estrutura cerebral, precisamente os circuitos que geravam essas enfermidades.
Podemos mudar nosso cérebro com boas palavras?
Santiago Ramón y Cajal, premio Nobel de Medicina em 1906, disse uma frase tremendamente potente que
naquele momento pensamos que era metafórica. Agora sabemos que é literal: "Todo ser humano se se propuser pode ser escultor de seu próprio cérebro".
Não está exagerando?
Não. Segundo como falamos a nós mesmos, moldamos nossas emoções que mudam nossas percepções.
A transformação do observador(nós) altera o processo observado. Não vemos o mundo, vemos o mundo que somos.
Falamos de filosofia ou de ciência?
As palavras por si só ativam os núcleos amigdalinos. podem ativar por exemplo, os núcleos do medo que transformam os hormonios e os processos mentais.
Cientistas de Harward demonstraram que quando a pessoa consegue reduzir essa cacofonia interior e entrar em silêncio, as enxaquecas e a dor anginosa podem reduzir-se em 80%.
Qual é o efeito das palavras não ditas?
Costumamos confundir nossos pontos de vista com a verdade, e isso se transmite: a percepção vai mais além da razão. Segundo estudos de Albert Merhabian, da Universidade de Califórnia (UCLA), 93% do impacto de uma comunicação se faz por via subconsciente.
Por que é tão difícil mudarmos?
O medo nos impede sair da zona de conforto, tendemos a segurança do conhecido e essa atitude nos impede de realizar-nos. Para crescer há que sair dessa zona.
A maior parte dos atos de nossa vida se regem pelo inconsciente. Reagimos segundo automatismos que fomos incorporando.
Pensamos que a espontaneidade é um valor; porém para que haja espontaneidade tem que haver preparação, senão so há automatismos. Cada vez mais estou convencido do poder do treinamento mental.
Dê alguma pista...
Mude hábitos de pensamento e treine sua integridade honrando sua própria palavra. Quando dizemos"vou fazer isto" e não o fazemos, alteramos fisicamente nosso cérebro. O maior potencial é a consciência.
Ver o que existe e aceitá-lo?
Se nos aceitarmos pelo que somos e pelo que não somos, podemos mudar. Ao que se resiste persiste. A aceitação é o núcleo da transformação.
Sem fé em si próprio há temor,
o temor produz violência,
A violência produz destruição
Por isso a fé interna supera a destruição.

Traduzido por Glaci Loureiro

Dr. Mario Alonso Puig.
Ehttp://www.kosmografias.com/?tag=mario-alonso-puig

LITERATURA - "COMO ESCREVEM OS QUE ESCREVEM"


Mudando um pouco de assunto e  para "relaxar", estou publicando esta matéria sôbre os escritores e seus rituais, o que também tem a ver com a medicina, pois constitui tema para um médico psicanalista.

Por Ezequiel Vinacour Para LA NACION - Buenos Aires, 2010
Traduzido por Glaci Loureiro

Todas as manhãs, Jorge Luis Borges registrava seus sonhos e, em seguida, usava esse material para enriquecer suas ficções. Ernesto Sabato tinha o hábito de queimar durante a noite o que havia produzido até o meio dia. E Carlos Fuentes disse que compunha "mentalmente" suas seis ou sete páginas diárias em um passeio que incluía a casa de Albert Einstein a de Hermann Broch e a de Thomas Mann, em Princeton.
Mas de todas as histórias sobre escritores na hora de encarar a rotina do oficio, talvez a mais singular pertença a Abelardo Castillo. Anos atrás, o autor de Crônica de um iniciado sofria de uma estranha afecção: sentia que não podia começar a trabalhar sem primeiro limpar a sua máquina de escrever. Para fazer isso, tinha uma escova pequena especial para repassar nas teclas e evitar que se empastassem. Sua obstinação, muitas vezes surtia efeitos indesejáveis: como utilizava querosene, os mecanismos muitas vezes terminavam por sujar-se e ao final da tarefa não podiam ser utilizados. "Quando me dava conta, haviam passado três horas e eu não havia escrito nada. Penso que esses hábitos pertencem mais ao domínio da demência do que a área ritual", diz Castillo,em uma pequena piada,a adncultura.
Como os escritores escrevem? Quantas horas trabalham por dia? A que hora do dia? ¿ Que estratégias preferem para criar enredos e personagens? Que tipo de letra usam? As respostas a estas perguntas estão muitas vezes confinadas à área das entrevistas e das lendas, e não a dos estudos literários. No entanto, fornecem dados valiosos quanto ao perfil de um autor e a abordagem de sua obra.
Dashiell Hammett, que em sua fase caótica de Hollywood se havia instalado em uma suíte no Beverly Wilshire, e recebia seus poucos visitantes vestido com uma túnica com suas iniciais, costumava dizer que um homem pode fazer com sua vida o que quiser, mas que a escrita tem certos princípios que devem ser respeitados. É discutível se a vida de Hammett acabou com sua escrita ou se a escrita acabou com a sua vida. A única certeza em todo caso, é que os escritores são criaturas de hábitos,e que a maioria deles tem um ponto fraco para os rituais e a disciplina.
Hemingway que em Paris é uma festa deixou muitas dicas sobre a arte de escrever, disse que é preciso disciplina para trabalhar todas as manhãs e para deixar de pensar na obra ao sair do escritório de modo que esta se siga escrevendo sòzinha em alguma parte da mente. Também recomendou parar de escrever quando a história fluia de modo a poder retomá-la sem inconvenientes na manhã seguinte.
O escritor, fatalmente, se faz. E nessa tarefa os ritos e os métodos ajudam. Assim pensava Faulkner, que também tinha uma áspera receita para qualquer aspirante a escritor. Segundo o autor de Luz de agosto, se requer 99% de talento, 99%, de disciplina e 99% de trabalho para consegui-lo. Claro que o talento e a disciplina muitas vezes pode parecer um caos. Um bom exemplo é a história de Antonio Dal Masetto no processo de escrever o seu romance Sempre é difícil voltar para casa.  Para produzir esta obra, o autor propôs a recompilar os diálogos, anotações de personagens e descrições em guardanapos de bares e pedaços de papel, que foi acumulando em numerosas caixas de sapatos. Para impor-se uma ordem, dividiu as caixas em três grupos: começo, meio e fim. Continuou assim até que em determinado momento, colocou um fim a essa tarefa, se sentou na frente da máquina, esvaziou as caixas e a partir do material acumulado redigiu uma página, um capítulo e finalmente o livro inteiro "É um método que não recomendo a ninguém", brincou após Dal Masetto em uma entrevista.
Outro americano que revelou alguns dos mais estranhos hábitos é Gay Talese. O autor de Frank Sinatra está resfriado, disse que seu dia de escritor não começa no seu escritório, mas no vestiário do quarto andar de sua casa. Lá, todas as manhãs, se veste como um executivo de Wall Street, com camisa e gravata. Quando está pronto, desce cinco andares até seu escritório, um antigo armazém, sem portas nem janelas no porão de sua casa. Uma vez lá, ele tira o traje e coloca uma calça comum e um suéter . Trabalha incansavelmente até ter uma nova página no seu desktop. Depois de ter realizado essa tarefa,volta a vestir-se como um banqueiro e vai para sua casa almoçar.
Nos bastidores, longe das interpretações acadêmicas, alguns dos escritores mais importantes da Argentina contaram a adncultura como enfrentam seu trabalho e como seus hábitos e seus rituais fazem parte também de sua estética. Eles falaram sobre seus medos e sobre os fantasmas que os visitam com mais freqüência: o terror da página negra (a página cheia de escrita inútil), o bloqueio da criatividade, a solidão que envolve o ofício do escritor e o necessário equilíbrio sempre ameaçado, entre a criação genuína e a escrita "por dinheiro."
http://www.blogger.com/goog_1117546899

terça-feira, 8 de junho de 2010

NANOTECNOLOGIA: OURO NA CURA DO CÂNCER - HOMEOPATIA: AURUM METALLICUM

Pesquisas desenvolvidas nos Estados Unidos conseguiram obter do ouro nanopartículas promissoras para a detecção e o tratamento do câncer. A mais recente, publicada em abril, no periódico da Academia Nacional de Ciências, mostrou que, no organismo, as estruturas são capazes de se ligar a um receptor específico das células que formam os tumores de próstata, mama e pulmão.
– Quando são injetadas no corpo, as nanopartículas conseguem encontrar precisamente o local do tumor. Consequentemente, as propriedades radioterapêuticas dessas minúsculas estruturas são enormes. Elas ajudam na detecção precoce e no tratamento do câncer – afirma um dos autores do estudo, o radiologista Kattesh Katti.
Um dos benefícios para os pacientes seria um tratamento mais efetivo, com menos efeitos colaterais. Quando submetido à radioterapia, o organismo da vítima do câncer ficaria menos exposto, pois seria possível focar o medicamento apenas nas células doentes.
– É um passo significativo em direção à utilidade dessas estruturas para o tratamento de vários tipos de câncer e para o aprimoramento do diagnóstico por imagem – aposta Sanij Sam Gambhir, diretor do Programa de Imagem Molecular da Universidade de Stanford, convidado pelo periódico da Academia Nacional de Ciências para comentar o trabalho de Katti.
Segundo o médico Raghuraman Kannan, coautor do estudo, a descoberta representa uma oportunidade realista para uma nova abordagem clínica.
– Não apenas no que diz respeito às tecnologias de diagnóstico para a detecção em estágio inicial, mas também para o tratamento de tumores na próstata, nas mamas, e de pequenas células do câncer de pulmão.(http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jspx?=vida

HOMEOPATIA -AURUM METALLICUM
O ouro metálico, Aurum metallicum, o "Rex Metallorum" dos alquimistas, pode achar-se em estado nativo, só ou mesclado com cobre, prata, em pepitas misturadas com areia, na beira de alguns rios...
Do ponto de vista terapêutico, o ouro foi muito apreciado pelos árabes que o empregavam contra melancolia, palpitações e dispnéia.Caiu em descrédito e foi abandonado devido a sua insolubilidade e consequentemente a sua inassimilação. No começo do século XIX ganhou novamente reputação e mais tarde seu emprego na forma coloidal se tornou clássico. Porém, todo seu poder e valor terapêuticos foram descobertos graças as experimentações hahnemannianas.
Para uso homeopático, se usa o ouro obtido precipitando uma solução de cloreto de ouro por excesso de solução de sulfato ferroso; o precipitado de ouro é lavado por decantação com água ligeiramente acidulada por H.C.L. e depois com água pura. As tres primeiras dinamizações se preparam por trituração hahnemanniana; as mais elevadas, por diluições sucessivas.
Os efeitos do ouro assim como de todos os metais preciosos(prata, platina, paladium)são muito marcados na esfera psíquica. O Aurum metallicum é o medicamento da melancolia (depressão grave com dor moral e auto depreciação, sentimento de não ser digno, de ter perdido o afeto da família). A morte é mais atraente que a vida e o indivíduo fica fascinado pelo suicídio, cujo maior perigo está na sua tentativa.
Aurum metallicum também pode ser usado por motivos físicos: hipertensão arterial, hipertrofia cardíaca,angina do peito.
LATHOUD Matéria Médica Homeopática, 1977 Albatroz Editorial AR